os teus dilemas *

A minha paciência esgota-se facilmente contigo. Irritas-me quando estou bem disposta e tu dizes «temos que falar» e já sei que vou ficar quarenta minutos sentada na tua cama vendo-te desgastar o chão do teu quarto. Confesso que por vezes nem te ouço apenas observo as tuas expressões sempre que falas em algo sério ou reparo na maneira que te movimentas quando me trazes à memória os nossos dezasseis anos pelo teu andar simples e desajeitado.
Falas, falas e continuas com o teu diálogo de pessoa de meia-idade que está sempre a lamentar-se dos jovens de hoje em dia. És insuportável, és repetitivo, és demasiado perfeccionista. E os teus defeitos somados às tuas manias multiplicando pelos teus vícios... fazem-me perder a cabeça! Não fazes ideia do tormento que é chegar a casa depois de um dia cansativo e assistir às tuas lamentações sobre o trânsito devido às obras do metro.

Contradizendo-me, não viveria sem os teus dilemas e tu sem a minha "não-paciência". Mas deixa-me aproveitar enquanto estás muito atento a ouvir-me para te dizer o quanto gosto de ti e por vezes o quanto adoro ouvir-te - quando a minha pachorra o permite.

my best friend's wedding *

" I love you. I've loved you for 9 years... Choose me, marry me, let me make you happy "

achas? *





" - achas que o mundo gira todo à tua volta?
- não, mas o meu mundo gira à tua volta. "

love You *



É difícil escolher as palavras apropriadas para ti. Acredita que te dou o que de melhor eu sou, e que todos os dias tento mostrar-te isso mesmo. Obrigada por saberes cuidar de mim, tratar de mim, escutar quem sou e quem me dera que ao menos tudo fosse igual a ti.
Sei cuidar dos teus medos e tu sabes preocupar-te comigo. Somos iguais, tão iguais que chegamos a ser irmãos. És irmão dos bons e maus momentos, és o pequenino que me conhece melhor que ninguém e que me dá este mundo e o outro.

Adoro a tua cara de ódio, quando mesmo sem querer eu te irrito, e gosto especialmente da nossa dependência um do outro. Se há coisas que não mudam são os nossos telefonemas antes de dormir, as nossas palavras doces, as nossas palavras duras.
Peço-te desculpa por em tempos não te ter dado valor, desculpa-me também pelas vezes que não quis saber. Arrependi-me do tempo que desperdicei mais a pensar do que a agir.
Hoje, estás ao meu lado e posso dizer com certeza que amanhã também vais estar, que no próximo mês estará tudo igual. Gosto de ti mas o que gosto mais é de nós.
Estarei aqui, no mesmo sítio que me encontraste há um ano atrás para te proteger, meu anjo da guarda.





demasiado fácil *


Às vezes imagino o nosso diálogo. Penso no que dirias e no que eu, sem hesitar, responderia. Imagino os gestos que ias fazendo, as expressões que ias usando.
Sabia que o diálogo passaria a monólogo porque a certa altura, eu não iria conseguir desculpar-me nem assim ouvir-te. Não ias achar correcto se te voltasse as costas e te abandonasse - por mais que fosse a minha vontade, ia continuar ali a ouvir-te, a tentar entender o teu ponto de vista, a alimentar formas de te amar. Ou melhor dizendo, arranjando maneira de te conseguir perdoar.
As tuas falas seriam previsíveis, baseando-se apenas em "pedidos de desculpas" e em "lamento pelo que fiz". Ao ouvir as tuas desculpas pensei nas vezes que já o tinhas feito,
da mais banal forma de me conseguires ter de volta.




férias *

LONDOOOON
boas férias *

and come back *




" - lembraste do perfume que puseste na minha almofada?
- sim, lembro
- ele desapareceu, e eu quero-o de volta "


a partida *


Quando estava a comprar os bilhetes de avião, senti um grande aperto. Sabia que estava certa e o meu futuro devia-se àquela viagem mas ao mesmo tempo sabia que te ia deixar para trás e que se um dia voltasse já não eras o mesmo, nem eu.
Tinha que me encontrar no aeroporto por volta das oito da noite - prefiro especialmente as viagens à noite. Ainda me sobravam algumas horas para me despedir de tudo, se um dia voltasse sabia que as lojas já não estariam no local de antigamente e até de proprietário haviam mudado. Percorri as velhas ruas da praça, parei no meu café de eleição e saboreei um café, curto e de chávena gelado como habitual, e um pastel de nata com um toque de canela e se um dia voltasse o sabor não era mais o mesmo. Já me despedira dos familiares e amigos mais próximos, eras o único que faltava. As malas estavam no carro, e o motor já aquecia. Vinhas lentamente rua abaixo, vi-te pelo espelho retrovisor, trazias um enorme ramo de orquídeas - como me conhecias bem! Entraste no carro e mandaste-me arrancar, disseste-me onde virar e seguir as ruelas que conhecias tão bem como a palma da tua mão. Por fim parámos, agarraste-me durante uns bons dez minutos, ficamos juntos a ver o pôr-do-sol, mas se um dia voltasse já não irias sentir a minha falta. Queria parar o tempo naquela fracção de segundo onde me sussurraste o que queria ouvir há muito tempo. Gastei as minhas ultimas forças contigo antes de onze horas de viagem. Sabia que era um adeus e ao mesmo tempo um obrigado por três anos de presença diária e se um dia voltasse sabia que estavas disposto a tudo outra vez. Por fim disseste-me adeus, agora no teu ponto pequenino em comparação com o avião, e deixamos que se um dia nos voltássemos a ver tudo seria exactamente como tínhamos planeado.

" txi amo "


Sempre achei que conseguia ter-te até à última, que era dona do tempo e recuava as horas que fossem preciso para remediar tudo. Achei-me demasiado forte, demasiado "senhora do meu nariz" e deixei-te ir. Como das outras vezes desisti, simplesmente arrumei-te na ultima gaveta do meu móvel. Contrariamente tu lutaste. Mantiveste-te firme a meu lado, em todas as crises reais e imaginárias. Aliás, nunca me deixaste. Enquanto mentia, traia e mal tratava tu, cegamente me protegias. Davas tudo o que não dava.
Consigo ainda, todas as noites, lembrar-me de ti e de mim - como irmãs. Parece que já passou tanto tempo desde aí mas se pensares bem foram apenas alguns meses. Sabes, já me habituei a não receber nenhuma mensagem tua mal acorde nem numa chamada a meio da noite só para te ouvir cantar uma das nossas mil e uma músicas, nem quando subitamente descobrimos que estamos no mesmo sítio e corríamos para a outra como se nunca nos tivéssemos visto.
Como é que se reduziu a tão pouco? Se pudesse ter-te só mais uma vez... mas era pedir demais visto que desperdicei sempre as outras oportunidades que me foram dadas e esta não ia ser diferente. Nunca to disse mas sinto a tua falta, sinto falta dos teus apertos e do teu aconchego que só tu sabias dar na altura certa.

« serás sempre o meu reflexo »

m.veiga

Sei de cor cada lugar teu atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
eu penso em ti
e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

u're my best friend



"I need you back
I don't understand why you're not here, with me.
Oh take me back to the start"




Lembra-te antes do que éramos e não nos que tornamos. Não sei porque foste, aliás nunca soube porque é ficaste tanto tempo.
Mas é incrível ainda te sinto tão presente!E tu? Acredito que lá no fundo és capaz de admitir que afinal erraste.

Sei que todas as noites ainda adormeces a pensar em nós e acordas com vontade de recuperar tudo. Conheço os teus traços, conheço tudo de ti mas com tanto tempo de espera desconheço as qualidades que antigamente eram imensas.
Jogávamos o mesmo jogo, éramos viciados um no outro. De todas as vezes calhava o 6 e o A's . Quando começou apenas a sair 'palha' nas cartas e o 1 nos dados? Desististe, guardaste todas as oportunidades de ganhar e ficaste sem saber se um dia conseguirias ter de volta. Fui, em parte, viciada nas tuas jogadas.
Fizeste com que me incluisse nesse teu ciclo vicioso.
Sempre ficaste pelo básico nunca lutaste por mais, deixas tudo numa boa
e esse sempre foi o teu pior defeito, nunca to disse. O dado caiu, as cartas estão na mesa, agora és tu quem decide o nosso futuro.

mais que muito, J



Sabes quando estar e como ouvir. Conheces os pontos fracos e fazes, inevitavelmente, com que eles se transformem em algo de bom muito bom. Admiro a tua força interior e a tua enorme garra. És incansável - quanto a mim e outros-  sem precisar apareces e quando é necessário nem preciso de falar. Estás a milhas de mim mas sabes como me sinto, estás a centímetros e o melhor que consigo fazer é abraçar-te e não te largar durante uma boa meia hora. Sabes que o tempo pode passar, eu posso mudar de casa, tu podes mudar de escola mas continuaremos os mesmo.  

sep 04


sinto a tua falta

cool


it's hard to remember how it felt before
now I found the love of my life
passes things get more comfortable
everything is going right

and after all the obstacles
it's good to see you now with someone else
and it's such a miracle that you and me are still good friends


we used to think it was impossible
now you call me by my new last name
memories seem like so long ago
time always kills the pain

look how all the kids have grown
we have changed but we're still the same

today




"amo-te"


Hoje, não pensei em ti. Não falei de ti, nem escrevi sobre ti. Hoje, não te amei. Vi-te chegar mas não me importei, vi-te partir e não senti a rajada de vento da tua mota. Mentira? A mais pura delas. Procurei-te na minha caixa e quando encontrei agarrei-me e não quis largar. O meu maior medo era perder-te, o meu maior desejo era ficar contigo para sempre. Mas para sempre é muito tempo, até demais. Acabaríamos por morrer de cansaço.
Hoje, pensei em ti. Hoje, tive vontade de me apaixonar. Todos os dias, eu trago-te aqui. Estás na minha mesinha de cabeceira à noite, e na minha carteira de dia.
Hoje, não quero sonhar contigo. Hoje, deixei a tua fotografia dentro do livro.
Quero tirar-te de mim. Ver-te longe, era tão bom! Mas sentiria a tua falta e prendar-me-ia às recordações e não seguia em frente.
Deixo-te, hoje, no canto do meu quarto. Espero, que a meio da noite o vento te leve.

tudo fica



Adormecia com a almofada molhada e acordava com o sal seco da noite passada. Imaginava como era se estivesse contigo, definitivamente. Queria voltar, voltar a sentir um turbilhão de emoções como nunca havia sentido, queria também voltar a ver-te. Traz-me à memória o nosso verão, mais uma vez.
Sentia os nossos olhos cruzarem-se como se as nossas pestanas se encaixassem. As minhas pernas tremiam à medida que te sentia mais próximo, mais meu. E acontecia, sem eu autorizar ou ter tempo para dizer a mínima das coisas. O sabor dos teus lábios e a sensibilidade com que os mexias já eu conhecia. Por momentos esquecia-me de quem era, de quem tu eras e do nosso amor impossível. Deixava-me levar pelos murmúrios e por todas as vezes que nos abraçávamos em frente ao pôr-do-sol. Apaixonei-me pela forma ondulada do teu cabelo, pelas tuas frases construídas momentaneamente e pelas tuas mãos que juntamente com as minhas nos aqueciam profundamente.

Até ao dia em que nos esquecemos. Amei-te de forma estranha mas nunca duvides do que sentia (e sinto, aliás). Em suma, perdemo-nos juntamente com o tempo.
Nunca me esqueço de ti, todos os dias és alvo de recordação. Olho para ti e apaixono-me vezes sem conta mas acordo e vejo que estás longe, longe fora de alcance e sem mim. Fico-me pelos sonhos e pelos ‘ses’ mas talvez um dia voltemos às velhas tardes de verão.

meus

loucuras, amores, dissabores

15





nicholas sparks

" Em retrospectiva, relembrou episódios que gostaria de modificar, lágrimas que gostaria que nunca tivessem sido derramadas, tempo que poderia ter sido mais bem aproveitado, frustrações que poderiam ter sido evitadas. A vida, segundo lhe parecia, era um mar de remorsos e gostaria de puder fazer o relógio do tempo recuar e voltar a viver parte da sua vida"




"a razão por que dói tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmo motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo, um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram fortes em cada vida que viveste. Eu sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre junta. e assim, por uma razão que nenhum de nos entende, fomos obrigados a dizer adeus um ao outro. Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será. Mas se nunca nos voltarmos a encontrar e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nos nao apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que vivemos antes"

um pedaço, apenas isso.



"there's a reason to believe in you and me"




Hoje sentei-me nas escadas do meu prédio e imaginei como se fosse se ali estivesses. O silêncio podia quebrar-se e soltávamos umas boas gargalhadas juntos. Depois imaginei se fosse apenas eu, tu e nós. Oh, como se isso fosse possível! Era o mesmo que me apaixonar de novo por ti, mas desta vez sem nada nem ninguém, apenas nós. Imaginei-te a vires, a ires, a vires e a ires. Assim sucessivamente sem te cansares, sem as gotas de suor te encharcarem a camisola. Sem a dignidade que fazia de ti o homem que te tornaste. Era como se te visse, eu na última escada e tu do alto do prédio e viesses voando até chegares encharcado de suor e sem fôlego. Sempre na expectativa de te voltares a apaixonar, nao por mim mas sim pelo passado que te atava aos maos, e no fim o coração. Era com ele que amavas que sentias e que querias, era com ele que magoavas e apunhalavas quem te amava sem querer. Acabaste, acabamos por descobrir que apenas caíste na tentação de experimentar algo novo, cometer risco como um adolescente imaturo que no fundo o demonstravas ser. Imaginei-te, agora sim, imaginei-te nas escadas à minha espera, à espera de nós, à espera de tudo. Com os braços abertos, com olhos com o fogo da esperança que invadia o teu corpo, a cada segundo que passava ia aumentando até que chegava e já não existia o arder das chamas reflectidas no teu olhar como à segundos atrás. Esfregaste os olhos e as chamas tornaram-se blocos de gelo. Pois o teu sonho tinha terminado, e eu era apenas a personagem que querias que fosse, a forma pefeita moldada em mim e não a pessoa que era. Fui apenas eu que te aconcheguei quando um pedaço de escada faltava.

nightmare



De sonho passaste a pesadelo, foste baixando, baixando mas acabavas por vir ao de cima sem quê nem porquê. E berrava com toda a minha garra até as veias me rebentarem e manchar a roupa com sangue, até os pulmões não terem ar e ficar durante um segundo sem respirar. No momento em que te caía nos braços com um sorriso total acordo de mais um sonho inexplicável. Parecia real, quando o despertador tocou ainda sentia o teu perfume, a tua voz ainda me ecoava na cabeça e o teu toque ainda permanecia junto da minha mão. Quando o sol já estava alto, o sangue da roupa desapareceu e a respiração voltou a acertar com o ritmo do bater do coração. Fiquei o dia todo a matutar se foi real ou se foi mais um dos meus indetermináveis sonhos.
Outra vez, durante meses foi a rotina da minha noite. Os sonhos eram constantes até que fiquei com os pulsos ligados de tantas vezes que o sangue rompia a minha pele encharcando-me de dor. Afinal de todas as noites, possíveis e imaginárias tu foste a minha dor, a nossa dor. Eras a sombra que me perseguia durante o dia e que se revelava durante a noite. A tortura terminou, tu foste o meu grito de meia-noite.