loucuras, amores, dissabores
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«Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais já não escreves porque não te resta nada para dizer»


Sentaste-te bem lá no fundo só para não te poder avistar. Aos poucos foste-te aproximando com um olhar triste mas ao mesmo tempo impiedoso. Começaste a correr sem te puder apanhar. caíste. caíste no teu ego profundo e escuro. Nadaste bastante até chegares à tua estabilidade mas nunca conseguias, tinhas sempre algo para te puxar e fazer-te voltar a afogar. Assim constantemente e repetidamente foi a tua vida. Erguias e automaticamente caías. Chegaste por vezes nem saber porque caías mas dava-te prazer e recusavas tudo o que era de bom e abrias uma grande porta para tudo o que era mau. 
A luz cegava-lhe os olhos cor de mar, estando ele assim constantemente a tropeçar nos seus próprios erros. Alguém em frente dessa luz pôs um pequeno vidro que a conduziu para outro lugar. Ele estava prestes a tropeçar uma vez mais numa dessas pedras que se atravessam pelo caminho. Devagarinho lá foi abrindo os olhos, desviou-se dos erros e como sempre lamentava-se pelo monte de pedras que tinha coleccionado. Os pedidos de desculpas já não serviam e ele estava sem ninguém (mas tinha sempre razão, está claro). Escondia medos, fraquezas por detrás de arrogância e de um belo ar de superioridade que o caracterizava sempre. Todos os dias de cabeça erguida até que uma vez, o melhor momento de todos ele caiu. Bateu com a cabeça num grande pedregulho e ficou inconsciente durante algumas horas. Durante esse tempo pensou, fez um tipo de slide na sua mente desde o dia em que nascera até o momento. Quando acordou as lágrimas vieram-lhe aos olhos porque apesar de se ter apercebido que as pedras que andara a coleccionar eram demais já era demasiado tarde para o pedido de desculpas.
( e juro-te que foi a última vez. )

Do nada apareceste, sem nada conseguiste que ficasse rendida e apaixonada. Termia com o teu nome, deliciava-me com o teu abraço, vibrava com a tua voz. Envolvia-me de uma forma incrível e fiquei agarrada como uma mosca presa numa teia d’aranha. Em cada movimento caía, em cada som desmaiava, em cada beijo morria. Palavras para tentar definir o inexplicável, sentir o impossível. Gritava com a voz muda, chorava com lágrimas secas, amava sem coração, vi-a cor no preto e branco. Queimava as pestanas de tanto ler cada carta tua, no fim deitava-as ao lume quente e avermelhado. Soltavas o suspiro no momento de tensão e o carinho no meio de tristeza.Fazias o mundo quadrado e as flores transparentes. Fazias acreditar que era possível igualar o inigualável, tornar o impossível não credível. Tiravas o prazer às coisas como se revelasses o final de um filme e planeasses os pormenores de um encontro romântico. Acreditavas no amor à primeira vista, no amor de sempre e até no amor ‘sem’ vista. Rasgavas os teus sentimentos com as tuas próprias mãos, matavas o teu ser sem razão. Caminhavas por ruas desconhecidas, escondias a alegria que vivia dentro de ti e soltavas a fúria de um leão. Choravas por chorar, rias por rir e… 



